Depois de muito tempo refletindo, depois de algumas crises de aceitação e muitas revoltas contra o espelho, chega o momento de falar sobre isso. O momento em que o corpo ainda não está no lugar, mas a cabeça já oscila menos...
A gente muda tanto nesses dois aspectos que às vezes não consegue assimilar ao tempo de cada transformação.
A gravidez faz da mulher uma entidade santa! É uma barriga católica de Virgem Maria que carregamos nove meses sem o direito de ser mulher, de sermos desejadas, admiradas fisicamente, exceto pelo milagre que carregamos no ventre.
Junto com essa visão santificada do corpo, aparecem os ichaços, estrias, marcas e hormônios destruidores do nosso amor próprio, para que possamos atribuir todo amor do mundo ao serzinho que estamos carregando.
O parto é outro momento delicado e cheio de estigmas, cicatrizes, fases de recuperação e um cansaço que carregamos durante toda a amamentação e que destói qualquer resquício de individualidade que ainda fosse possível. Você agora é mãe! Ainda não voltou a ser uma mulher.
Aos poucos você vai voltando a se olhar no espelho e reparar no que mudou. É um processo doloroso em que não nos permitimos nem a auto-crítica. Nos culpamos pois é uma insatisfação física muito menos relevante do que a sua razão. Devíamos esquecer de tudo isso, pois a maravilhosa maternidade é o grande fator compensador.
Esse é o momento chave. É aí onde escolhemos, conscientemente ou não, aceitar nossa individualidade de volta e lutar pela aceitação ou nos "conformar" com as mudanças e assumir o papel de mãe de família.
Quero reforçar nesse caso a questão como "aceitação", pois em nenhum momento me refiro a uma questão específica de peso! É muito mais uma questão psicológica do que física. É muito mais fácil perder peso (se essa for a sua necessidade) do que se aceitar novamente como mulher depois de uma gravidez.
A gente precisa saber que não é pecado se cansar do choro do filho ou querer deixar o bebê com os avós pra se curtir como casal. A gente precisa saber que é importante se olhar e se admirar como mulher apesar das mudanças, sejam elas estrias, quilos a mais ou o fator da gravidade... São as marcas da vida.
Precisamos deixar que nossas experiências nos empoderem, e hoje vejo a maternidade como a mais poderosa das experiências, mesmo sendo a mais destruidora.
Estou em processo, é tudo muito recente, mas vejo claramente que somos sim uma família, somos um trio, mais que também somos dois, somos um casal, e ainda mais, ainda sou mulher. Ainda sou, novamente uma mulher. E que eu possa ser feliz com tudo isso...
E que minha filha possa ter orgulho dessa mulher quando crescer!
<3
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