terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Um presente de Natal para Cecília

O fim de um ano encerra e recomeça. São ciclos se fechando e novos planos e metas sendo estabelecidos e uma aura de esperança toma conta dos corações. O ano em que você nasceu foi um ano difícil, filha! Muitas perdas, muita preocupação financeira, muitos dilemas profissionais e a sociedade acelerada e consumista jogando na nossa cara uma dura perspectiva de futuro.

Mas teimamos em ter esperança! E a sua vinda é a maior prova disso, dessa renovação que às vezes a gente tanto precisa!

Esse seu primeiro natal foi difícil, pois foi o primeiro também sem meu avôzinho querido! Mas também foi o primeiro na nossa casa, como família! Mantivemos a mesma união, muito disso graças a você!

Meu primeiro natal sendo mãe mudou muito minha perspectiva em relação a essa data. Me lembrei dos meus natais quando era criança e toda a expectativa pelos presentes desejados o ano todo, do místico papai noel, em que deixei logo de acreditar, das novenas de Natal em que o menino Jesus passava em várias casas reunindo as pessoas por uma mensagem de amor, mas principalmente, pelo afeto e carinho dos familiares.

Desde o amigo secreto, ou amigo ladrão, até as ceias deliciosas e fartas (nem sempre) mas que só podiam ser divididas à meia noite, depois do abraço com o desejo de um feliz natal.

No primeiro abraço desse ano estávamos nós três: Eu, você e seu pai. E o desejo de passar pra você todas essas boas recordações nos próximos natais da sua vida. Eu chorei, por sentir muita falta de um abraço em especial, e não é a primeira vez que isso acontece. Mas a saudade também faz parte do Natal. A lembrança de todas as pessoas que já amamos e que não estão mais com a gente.



Nossa casa como sempre ficou cheia, do dia 24 até o dia 28, com as nossas famílias e amigos queridos. Só não emendamos a festa com o ano novo pois planejamos a sua primeira viagem e tínhamos que preparar tudo.

Esse primeiro Natal não vai ser uma lembrança pra você, que ainda é muito bebêzinha, mas pra gente foi marcante e especial. O início de novas tradições e maneiras de comemorar, a primeira árvore de Natal, pequenininha e emprestada da sua bisa, mas ano que vem vai ser melhor!


Seu pai já prometeu inclusive que vai ter papai noel e uma árvore maior pra você ajudar a montar com a gente. Apesar das dificuldades desse ano, ganhamos de presente a renovação da nossa fé na vida! Queremos retribuir deixando pra você lembranças de muito afeto em todos os natais!

E que venha 2016!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Quando o pai "ajuda" ou apenas faz o seu papel

Filha, a mamãe tem poucas lembranças boas de ter tido um pai na infância e adolescência, mas as poucas memórias que tenho são suficientes pra um pai de verdade me fazer muita falta! Jamais quero que você sinta isso e pelo que vivemos hoje acredito que seu pai vai ser uma pessoa fundamental e muito presente na sua vida, pois é assim desde a minha gravidez.

Quando conversamos com outras pessoas todos o elogiam muito dizendo que ele é super paciente, compreensivo, amoroso e divertido, o que é muito verdade! Mas as pessoas dizem também que ele "me ajuda muito"! Disso eu já discordo.

Uma casa, na minha visão, é de responsabilidade de todos os seus moradores em todos os sentidos! Então o que ele faz pra gente, desde que moramos juntos e principalmente na gravidez, não é ajuda! É uma parceria! Todo mundo faz tudo em casa, desde serviços domésticos, compras, comida, louça, roupas... claro que respeitando as habilidades e a disposição dos dois e em comum acordo! E sempre vivemos muito bem com isso.

Com você não seria diferente! A única coisa que seu pai não consegue fazer é te amamentar, como ele faz questão de dizer, mas todos os outros cuidados ele também tem e na mesma proporção! E na maioria das vezes, confesso, com muito mais paciência que eu!

Sei que nem todos os pais são assim e que nem todas as mães atribuem essa parceria a eles, aceitando todos os cuidados do filho como responsabilidade exclusiva. Essa possessividade muitas vezes pode até ser tentadora, mas me emociono ao ver você olhar pra ele na mesma forma que olha pra mim! E me emociono mais ainda ao ver como ele retribui.

Ele está perdidamente apaixonado por você, filha! (E quem não está!)


Ele troca sua fralda, faz mamadeira, suquinho, te dá banho e faz você dormir, sorrir e até tentar balbuciar suas primeiras palavrinhas. Coisas que acredito que todo pai de verdade deveria fazer. Coisas que não são simples e muitas vezes não muito fáceis, mas que fazem uma enorme diferença.

Pra ele, que fortalece a cada dia esse vínculo com você e pode te conhecer tão bem quanto eu curtindo cada fase sua. 



Pra mim, que além de mãe, não me sentindo sobrecarregada, consigo me ocupar de ser uma mulher de quem você possa se orgulhar em todos os aspectos, inclusive profissional.

E principalmente pra você, filha, que terá uma referência, ao menos no seu lar, de um desejo de sociedade menos condicionada a ser machista. E além disso, dois pais unidos e aprendendo juntos a deixar de ser um par e construir uma família!



"Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher" (Gilberto Gil)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Muito cuidado ao voltar a trabalhar depois da gravidez

Filhota, você nasceu no dia 01 e no dia 31 do mesmo mês a mamãe já estava no palco!
Ainda fiquei com você durante a semana, mas estava ansiosa pelos palcos de novo. Foi uma volta muito esperada, estava já com saudades de cantar, mas principalmente de cantar respirando, coisa que era quase impossível na gravidez.

Ao mesmo tempo foi um retorno um tanto quanto precipitado, pois a cicatrização dos pontos da cesárea leva no mínimo 90 dias. Nos primeiros shows eu até me segurava um pouco no palco, mas como a dor ia diminuindo, eu ia me empolgando e usando salto, dançando e curtindo muito as coisas que eu estava há um tempo sem fazer.

Mas meu corpo era outro e ainda estava em fase de mudança. Meus pontos acabaram inflamando um pouco e agora estou de repouso novamente depois de uma super bronca da médica! Posso no máximo caminhar, se quiser fazer alguma atividade física, mas carregar peso, pular e dançar (de salto!) nem pensar! Pelo menos mais um mês!

Ser mãe é uma delícia e passar um tempão em casa cuidando de você, te conhecendo, se adaptando a todas as mudanças é ótimo e super importante.


Mas a gente também precisa se sentir profissional de novo! Além de se descobrir e se renovar como mulher, a gente precisa se recolocar do cenário onde saiu.

No meu trabalho como cantora isso é muito difícil! O palco coloca a gente em evidência de uma maneira viciante, mas também ingrata em vários sentidos! Estar no palco grávida é muito bonito, mas quando a gente volta, acima do peso, parece que a cobrança pela imagem é imediata!

Mas com esse sustinho leve, tive um aprendizado importante. Mais um aprendizado sobre paciência e esperar o tempo das coisas. Quando se trabalha tendo o corpo como instrumento, ele precisa estar equilibrado e saudável (independentemente da forma física).

Vou estar em mais dois shows em dezembro e tentar me conter, além de usar sapato baixinho. Voltando aos poucos e tentando reduzir uma pressão que é muito maior de dentro pra fora, mas que a gente também sente de fora e precisa só saber usá-la pra impulsionar o retorno, mas respeitando nossos limites.

Talvez um dia você entenda esse efeito que o palco nos causa, é apaixonante.

Mas hoje te olhando dormir, descobri mais uma vez que você também é, na letra soprada pelo Elvis bem na hora: "but I can't help falling in love with you..." <3



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Quem sou eu agora, depois de ser mãe?

Agora você já dorme uma noite inteira, filha! Já não depende só do meu peito pra se alimentar. Já consegue me reconhecer, mas também aceita o carinho do seu pai, avós, tios... E apesar de não ter ciúmes disso e nem me preocupar, pois sei que sempre vou ser sua mãe, começo a me perguntar novamente: quem sou eu?

Filha, eu faço tudo por você! Nosso amor só cresce a cada dia e quero poder te proporcionar a melhor vida, com os melhores valores e todo o carinho e cuidado. E por isso mesmo hoje tenho que ser um pouquinho "egoísta" e pensar em mim. Como ser um exemplo pra você, não só de mãe, mas de mulher. Como fazer você conhecer a mulher que eu sempre fui e que ficou adormecida pra que você pudesse nascer.


Estou voltando a trabalhar, mas meu corpo está diferente, minha voz demora um pouco pra me obedecer de novo como antes, minha disposição é grande, mas tenho muito mais afazeres pra dividir com o tempo de estudos, projetos e trabalhos. É impossível nesse momento não priorizar o seu choro, seu pediatra, suas vacinas, o aprendizado do dia a dia ao seu lado.

Mas sinto que preciso parar pra me observar como indivíduo e ajustar a sua rotina à minha, compartilhando nossas necessidades. Agora mesmo interrompo meu texto pra te acalmar...

Duas horas depois, depois de acalmar, amamentar, complementar com a mamadeira, acalentar, trocar e deixar você com o seu pai pra ele te fazer dormir... tenho uma crise de choro e volto pra tentar terminar o texto.

Meu choro é silencioso, sem pedir colo. Eu sou o porto seguro agora e não posso nunca mais deixar de ser. Hoje mesmo disse à minha mãe que ela tem esse direito sim, de ser mulher, de pensar no seu trabalho, se cuidar, de pedir ajuda quando não der conta... mas acho que começo a entender essa cobrança de sempre ter que dar conta de tudo.



Você ainda não dormiu, está resmungando, deve ser cólica... tenho músicas pra ensaiar amanhã e nem tive tempo de estudar direito. Passei pela cozinha e tive que escolher entre terminar o texto ou lavar a louça, o que é sempre a última opção...rs

Nunca gostei de fazer as coisas com pressa ou pela metade, mas é um momento em que essa cobrança pessoal e profissional só faz mal. É preciso ter calma e se dar esse tempo. A licença maternidade não é só pra cuidar de você, filha, é pra cuidar de ser mãe (e pai), que a gente ainda não sabe!

É possível se reinventar e se redescobrir, mas é um caminho mais lento pra muitas coisas, um exercício diário de paciência e companheirismo. Mas o que me move acima de tudo é o desejo de ser um dia pra você o que sua vó hoje é pra mim. Uma mãe maravilhosa, mas acima disso uma mulher que eu admiro e confio.

A cobrança talvez seja inevitável, mas acho que é possível ao menos não se culpar pelos momentos de individualismo, não se martirizar pela demora do corpo em voltar pro lugar, não deixar de planejar, mesmo que mentalmente, objetivos profissionais e dividir as tarefas para que sejam realmente tangíveis. Talvez a minha ansiedade esteja precipitando as coisas e com o tempo as coisas comecem a ficar mais tranquilas na minha cabeça.

A gente pode errar como mãe e não ser perfeita na visão do filho, mas é importante acima disso que a gente não se esqueça de quem é como pessoa, pra que além da vida que a gente quer proporcionar ao filho, a gente possa realmente compartilhar a nossa!

Vamos dormir que amanhã tem ensaio e você vai com a gente, filha!




quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O cotidiano de uma cantora grávida

Mamãe é cantora, filha! E papai é baixista, dos melhores que eu já vi! Somos músicos e trabalhamos juntos desde que nos conhecemos, tocando em festas de casamento, além de termos montado também uma banda de pop rock chamada Maria Pimenta.

Durante a gravidez, mamãe não parou de cantar! Afinal, tínhamos que nos preparar para o meu período de "licença maternidade"! Trabalhar por conta própria, principalmente como musicista, tem dessas coisas! Fora isso sempre amei o meu trabalho e, mesmo com os enjoos do início da gravidez, me sentia muito bem no palco com você na barriga!



Tenho até um DVD gravado com a banda Acqua Marina no quarto mês, com a barriguinha querendo aparecer! Ainda não dava pra marcar bem a barriga, mas já não dava pra esconder! Apesar do palco e desse tipo de trabalho às vezes deixarem a gente meio encanada com a forma física, foi legal ter esse registro, mesmo com essa dificuldade no figurino.



Nos meses seguintes, você foi crescendo e a barriga aparecendo, o que tornava ao mesmo tempo mais divertido e mais cansativo o meu trabalho. Todo mundo sempre foi super atencioso e carinhoso com a gente, músicos e equipe da banda, além do pessoal que sempre acompanhava as apresentações do Maria Pimenta em barzinhos. E eu já usava figurinos deixando a barriga em evidência.


Seu pai, do lado, só me dava bronca pedindo pra eu não pular e dançar demais, mas eu ainda me sentia bem disposta então era difícil me controlar! Depois do quinto mês, passados os enjoos, eu estava radiante!!

E ele também, todo feliz!

E todo mundo queria ficar perto da gente, tirar foto, colocar a mão na barriga... Você já era o centro das atenções antes mesmo de nascer!


Só que a mamãe ficou enorme!!! Já era difícil respirar falando, pra cantar então começava a ser cada vez mais sofrido! Na última apresentação em um bar, os meninos tiveram que me ajudar cantando, pois eu já estava bem cansada aos sete meses! E você se mexia bastante também, não sei se gostava ou se já estava cansada também...


Nos meus últimos shows com a banda já não cantava tudo sozinha, sempre tinha outra cantora que também fazia a parte mais agitada... Eu até dava uma escapadinha pra dançar um pouco, até seu pai começar a olhar feio e me pedir pra descansar! 


Até oito meses e meio você esteve comigo no palco, filha! Dividi com você todo o amor pela música, pelo trabalho e pelos amigos queridos que te esperavam também cheios de carinho.



Te levei comigo em todos os cantos e sons, e sei que hoje minha voz é mais leve e mais doce depois de ter passado pelas batidas do seu coração, que vai ficar pra sempre dentro de mim. Espero que um dia a gente possa dividir o palco de novo, filha! Foi maravilhoso!

"Some people want it all but I Don,t want nothing at all
If it ain,t you baby, if I ain,t got you baby
Some people want diamond rings, some just want everything
But everything means nothing If I ain,t got you!" (Alicia Keys)

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Quando a gente começa a amar um filho?


Sabe aquela história de que na gravidez você já se sente mãe e já ama seu filho na barriga mais que tudo?! Mentira, filha!! Como amar alguém que você ainda nem conhece?! O amor é construção, é dia a dia... e a barriga só preenche a gente de expectativa e, sim, muitos sentimentos bons! Mas te amar mesmo, eu te amo hoje!

Comecei a te amar um pouquinho quando te vi nascer! Mas ainda estranhei o seu rosto, não te achava tão bonita, não me reconhecia em você ainda. E ainda estava sob o efeito da cirurgia, anestesia, tensão... por mais mãe que eu já fosse, tinha dores e não é tão automático assim como dizem esquecer as dores e só pensar nos filhos!

Te amei um pouquinho mais quando te levaram pro quarto! Depois que eu já tinha tomado um banho e me sentia melhor, consegui olhar direito pro seu rostinho, suas mãozinhas, seus pézinhos minúsculos e comecei a me ver, a ver o seu pai e o nosso futuro.


Fui te amando mais um pouquinho a cada tentativa de te alimentar, no meu peito ou na mamadeira! Um misto de amor e preocupação, além de muita cobrança implícita em cada comentário! "Não, imagina... você não é menos mãe se não amamentar..." Mas a gente se acha ainda menos mãe, porque é mãe há muito pouco tempo! Essa preocupação ainda era maior do que o amor... mas ele estava crescendo...


E você também!

                             
Fui te amando a cada mudança no seu choro, desde o chorinho delicado e baixinho do início até os berros de madrugada que tiravam (e ainda tiram) a gente do sério. Fui aprendendo a me acalmar e entender que era só o que você podia fazer, já que não sabia preparar seu próprio leite ou pular no meu peito sozinha, muito menos trocar a própria fralda! Dependia da gente pra tudo!


Mas a gente também passou a depender de você! E o amor só aumentava...


Amei mais você quando a gente começou a se entender e parecia que você também reconhecia o meu olhar e o meu toque! Isso não é automático também pra você, afinal, lá de dentro deve ser bem diferente né? Aqui é tudo tão grande e assustador... e eu talvez tenha demorado um pouco pra parecer um porto seguro pra você, pois não tinha nem segurança pra te dar banho direito...



Mas quando consegui, amei!! Amei você e esse contato com o seu corpinho, suas descobertas! Como você adora banho!! E a gente filmava, e cantava e se encantava com cada esboço de sorriso seu. E se assustava com cada movimento brusco ou aquela primeira vez que você engoliu um pouquinho de água!! O susto às vezes nos dá a dimensão do quanto o amor está crescendo!


E você começou a sorrir! Nosso coração sorria junto!! Ficou mais fácil acordar no meio da noite, ficou mais fácil deixar de sair quando estava muito frio, ficou mais fácil esquecer a bagunça na casa pra te dar prioridade em tudo, ficou mais fácil viver sabendo que você estava feliz! E então soube que já te amava mais que tudo. Mas soube também que esse "mais que tudo" é maior a cada dia!


Hoje você completa dois meses aqui com a gente!

Fico ansiosa pra nossa vida inteira juntas e, ao mesmo tempo que tenho medo de te ver crescer, fico ansiosa pra cada fase e quero descobrir o mundo pelos seus olhos. Aprender quem é você e te ajudar a ser o que você quiser. Te amar me faz amar mais o mundo, o seu pai, a mim mesma. Me faz querer ser um espelho bom de se olhar, como minha mãe é.

O amor é essa construção, filha! Não é gratuito nem automático! O instinto pode até ser sim, de cuidado, proteção... além de uma cobrança muito grande que sinceramente acho desnecessária! Só é "menos mãe" alguém que abandona um filho! As mães são apenas diferentes umas das outras, assim como os filhos! E cada uma constrói essa relação com os filhos à sua maneira.

O importante é que a gente faz tentando acertar... e o amor vem! Quando você já está esgotada e cansada de acordar de madrugada, o bebê dorme até de manhã! Ou quando já está pensando em desistir de dar o peito ou já desistiu, você percebe que o bebê fica feliz com o seu contato e o alimento, não importando de onde vem! Ou quando você se olha no espelho e não reconhece seu corpo mais, mas olha pra um rostinho tão pequeno e já consegue ver traços seus.

O amor não vem fácil... é uma conquista... uma escolha... muitas escolhas, algumas renúncias...

Quando você for mãe, você vai me entender!
E vai entender que o seu sorriso é o que faz tudo valer a pena!

Obrigada, filha!
Te amo!


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Tive bebê e vamos pra casa! E agora?!!!


Filhos são maravilhosos, mas bebês são bombas relógio!... Essa frase definiu minha primeira semana sendo mãe!


Você nasceu linda, com 3,440 Kg e 49cm! Uma nenezona super saudável!!



Olha que pezinho mais fofo!


Eu te olhava, filha, e era muito amor, muito carinho e gratidão pela sua vinda. 


Mas ao mesmo tempo, um ponto de interrogação gigante sobre tudo!


Se o berço pra mim já era pequeno sem você, quando te coloquei nele então, fiquei perdida...rs


Vocês bebês são a coisa mais fofa do mundo, só tem um probleminha: Não tem manual de instruções! E só tem uma maneira de dizer pra gente que precisam de alguma coisa: chorando!


Você até que não chorava muito, mas mesmo assim, no começo era difícil decifrar as razões. Mesmo tempo poucas opções, a gente acabava se confundindo!



Com o tempo a gente vai aprendendo o que é fome, cólica, sono, fralda cheia, manha... frio e calor são os mais difíceis pra mim, mas acho que você sente bem mais frio do que eu...



E a água da banheira então? Seu pai toma banho fervendo e eu gelado! Como saber?! A sorte é que a vó Sandra deu pra gente um termômetro de banheira e usamos bastante nesse início! Mas até isso a gente vai descobrindo como você prefere!



A temperatura do leite da mamadeira também foi aos poucos, mas pra isso você nunca ligou muito! Seu apetite sempre foi ótimo desde o início e, mesmo tomando mamadeira, nunca recusou o peito da mamãe ou os cházinhos da bisa!


Eram poucas horas de sono, mas dormir com você é um sono de tanta paz, que vale o dobro filha! E aos poucos a gente acabou aprendendo a lidar com as dúvidas e a ter só uma certeza: de que cada vez mais elas iriam aumentar!


A cada dia a gente foi te conhecendo e te amando mais, e aprendendo a entender as suas necessidades. A cada dia também os questionamentos foram aumentando conforme você crescia! E em uma semana você já tinha feições diferentes da maternidade. Já chorava com mais força. Segurava nossa mão com mais força.

Isso pra gente era a grande força pra lidar com as dúvidas e dificuldades que na verdade só estão começando!

"Through all the things my eyes have seen
The best by far is you

If I could fly
Then I would know
What life looks like from up above and down below
I'd keep you safe
I'd keep you dry
Don't be afraid Cecilia
I'm the satellite
And you're the sky!" (Andrew McMahon In The Wilderness)





sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Como lidar com as dificuldades na amamentação

Filha, como é gostoso amamentar! Sentir você se alimentando do meu leite, no meu peito, segurando minha mão que além do alimento te passa meu calor e segurança. Tenho o privilégio de poder fazer isso por você e sou muito grata por isso, mas não foi assim tão fácil desde o começo.


Amamentar não é apenas um ato de amor! É também uma escolha difícil, dolorosa e da qual muitas vezes as mães são privadas por pura falta de orientação e cuidado.

No nosso primeiro dia em casa tivemos bastante dificuldade em nos adaptar. No hospital aparentemente estava tudo certo, as enfermeiras olhavam você no meu peito e diziam: está pegando o peito, então está tudo bem! Mas você dormia bastante e, como no começo o bebê tem uma reserva e o leite ainda é o chamado "colostro", mais líquido, ficava difícil saber se estava saindo mesmo e se seria suficiente pra te alimentar.

No primeiro dia em casa já tivemos nossos problemas. Saímos num dia complicado e acabamos ficando na casa da vó Sol, ambiente estranho pra nós duas. O que precisávamos mesmo nesse dia era de tranquilidade para essa adaptação. Você chorava muito e estava insegura, faminta. Eu tentava te alimentar, mas não sabia te colocar direito no peito, você me arranhava, ficávamos as duas nervosas e todos em volta preocupados e, querendo o melhor, diziam que eu não tinha o leite e que estava deixando você com fome, como aconteceu com a minha mãe quando eu era bebê.

Acabei convencida de te dar uma fórmula na mamadeira, o que resolveu temporariamente a questão da sua fome, mas não conseguia aceitar que tinha seios enormes e que não produziam leite!


Assim que consegui, fui com você na pediatra e tivemos muita sorte! A Dra. Regina era de um grupo de apoio relacionado à amamentação e nos orientou muito bem, Me mostrou como apertar o mamilo para que o leite saísse, como poderia varia a sua posição no meu colo pra te dar mais conforto, disse que eu poderia te dar algumas gotinhas do leite de fórmula pra te acalmar pra que você não viesse tão nervosa pro meu seio e acabasse me machucando, me incentivou a tentar amamentar, pois eu tinha sim o leite necessário, mas também me deixou tranquila com as outras possibilidades, caso não desse certo, Senti nesse momento que era um escolha.

Confesso que no início foi uma opção difícil, A sensibilidade nos mamilos, o sono e o cansaço da madrugada e a dor da cirurgia são os desafios iniciais, fatores físicos que, somados aos psicológicos e às influências externas, podem desencorajar a amamentação.

Tive muito apoio do seu pai nesse sentido também. Ele ficava angustiado querendo poder fazer algo pra te ajudar a pegar o peito da forma correta, aliviar a minha dor e sempre deixar a meu critério caso não estivesse disposta, além das inúmeras garrafas de água que ele até hoje vai buscar na hora do seu leitinho!

Tive sorte também por não ter tido fissuras ou machucados no seio. Um cuidado essencial pra isso foi a pomadinha de lanolina que ganhei da minha amiga super gêmea, Fernanda. Outro aspecto muito positivo foi que, conforme seu apetite foi aumentando, pude intercalar as mamadas te oferecendo também a mamadeira.

Muitos bebês se acostumam com o bico da mamadeira e não pegam mais o peito depois disso, mas você se adaptou bem aos dois e nunca recusou nenhum deles até hoje!


Fico muito feliz por ter tido essas informações a tempo, o que não acontece com muitas mulheres e as impede de vivenciar essa experiência tão bonita e especial! Enquanto meu amor continuar enchendo meus seios, estarei aqui de peito aberto pra te acalentar e alimentar!

Muito carinho a todas as mães, que amamenta(ra)m ou não! A amamentação é maravilhosa, mas é um processo delicado e muitas vezes difícil e doloroso. Ajuda e palpites são ótimos, mas aí vai o meu: nada como a orientação profissional! E respeito às escolhas de cada família!

"Só é possível te amar
Ouve os sinos, amor
Só é possível te amar
Escorre aos litros, o amor" (Nando Reis)

Como escolher (de novo) o nome do bebê

A escolha de um nome é uma decisão difícil para os pais, mais uma de muitas! No nosso caso fizemos isso duas vezes!


Como já te contamos aqui, você enganou a gente até o quinto mês e que a gente achava que viria um menino, lembra filha? Pois é, foi bem difícil entrar num acordo, mas depois de muito pesquisar, conversar, fazer numerologia, decidimos que você seria Raul! Quando nos disseram que você era menina, tivemos que começar esse processo todo de novo...rs

Assim que ficamos sabendo que você era uma menininha, não sossegamos enquanto não tomamos logo essa decisão, mas o que sempre tivemos em mente era que ao escolher, não seria apenas o nome de um bebê, e sim de uma pessoa, pra vida toda! Muita responsabilidade!!

Tínhamos muitas ideias, queríamos ser criativos, mas sem algo muito diferente, que você pudesse não gostar! É difícil escolher algo tão importante pra alguém que a gente ainda nem conhece. Pensamos muito e ficamos com três opções: Cecília, Bianca e Júlia. Esse último gerava um conflito por conta da maneira de escrever, seu pai preferia com J, mas eu gostava mais de Giulia.

Além da música do Chico Buarque,  consideramos também a Santa Cecília, que é padroeira dos músicos, e Cecília Meireles, uma grande artista brasileira.


Fizemos até uma enquete no facebook e Cecília foi o mais votado. Combinamos com os sobrenomes e finalmente decidimos juntos, o que foi muito importante! A princípio nenhum nome escolhido agrada a todos da família, mas papai e mamãe precisam estar de acordo, e foi o que priorizamos.

Não sabemos se no futuro você vai gostar, mas desde que vimos o seu rostinho pela primeira vez, soubemos que a escolha do coração foi a escolha certa e que o mais importante é pensar nisso com carinho e cuidado e, claro, muito amor!

Cecília
Chico Buarque
 
Quantos artistas
Entoam baladas
Para suas amadas
Com grandes orquestras
Como os invejo
Como os admiro
Eu, que te vejo
E nem quase respiro

Quantos poetas
Românticos, prosas
Exaltam suas musas
Com todas as letras
Eu te murmuro
Eu te suspiro
Eu, que soletro
Teu nome no escuro

Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas

Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve
Tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem, Cecília, teu nome
Espalhar por aí
Como tantos poetas
Tantos cantores
Tantas Cecílias
Com mil refletores
Eu, que não digo
Mas ardo de desejo
Te olho
Te guardo
Te sigo
Te vejo dormir


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Você quer parto normal ou vai fazer cesárea?

Em todas as inúmeras vezes que ouvi esse pergunta (campeã dos curiosos na gravidez) não pude deixar de sentir um friozinho na barriga! Essa era uma das maiores, talvez a maior das minhas angústias na gravidez: o parto!

No início pensava em tentar o parto normal, pensava que talvez por ter muita flexibilidade, não sofresse tanto tempo para ter a dilatação necessária. E também pensava que seria a condição mais natural e, portanto, mais tranquila. Nessa fase ouvi pessoas que nem conhecia direito me chamarem de louca por isso e tentarem me convencer do contrário, sem ao menos terem passado pela experiência de um parto!

Conforme o tempo passava eu fui tentando não pensar tanto nisso, pois como minha mãe e a médica diziam, era algo que a gente teria que decidir mais próximo do fim da gravidez, de acordo com as nossas condições físicas.

Mesmo assim as pessoas questionavam, opinavam, me contavam experiências terríveis que tiveram ou que ouviram falar, tanto do parto normal quanto da cesárea, me fazendo chegar à conclusão de que colocar outro ser humano no mundo era algo sofrido, doloroso e péssimo!

Justamente por isso faço questão de descrever aqui a minha experiência, que foi muitíssimo melhor do que tudo que me disseram!


Nos últimos exames que fizemos a médica já dava indícios de que a cesárea seria mais recomendada pois o bebê já estava com bastante peso (e a mamãe também!), mas em nenhum momento isso foi uma imposição. Sempre tive abertura para escolher e estava muito à vontade pra isso.

Na 37ª semana, você já tinha tamanho de 40ª, então decidi que marcaria a cesárea, até mesmo porque na semana seguinte seria dia 01/10, aniversário do meu tio, irmão da sua avó Sol, que infelizmente você não vai conhecer. Ele era muito especial e por isso queria que essa data continuasse sendo importante pra nossa família. Era uma quinta-feira.

Eu e seu pai chegamos no hospital às 05h da manhã e logo segui para a sala onde seria preparada junto com outras duas gestantes. Eu estava surpreendentemente tranquila nesse momento, estava muito feliz porque você ia chegar! Era o que eu mais queria, então estava pronta pra enfrentar o que fosse, inclusive a tão temida anestesia.

Tudo correu muito melhor do que eu pensava e, apesar de uma queda de pressão após a anestesia, não senti nenhuma dor e foi tudo muito rápido! Seu pai e a vó Sol entraram na sala, o que me deixou mais tranquila ainda por saber que estava perto! E então às 6h26 você apareceu, chorando, toda roxinha, com manchas vermelhas no rostinho mais lindo que eu já vi na vida! Muita alegria e emoção, você estava bem e saudável!

Seus avós, tios e padrinhos foram te ver no hospital e se apaixonaram à primeira vista também! Seu pai ficou com a gente no hospital e tivemos alta no sábado por volta do meio dia. Minha maior dor nesse processo todo foi a primeira vez que levantei da cama, logo após a cirurgia, antes mesmo de trazerem você pro quarto. Depois do primeiro banho, foi ficando tudo mais tranquilo e a recuperação também foi muito mais rápida do que me disseram!



Depois de quinze dias fui tirar os pontos da cirurgia e já não tomava mais medicamentos! Minha experiência foi ótima e hoje acho que o momento de trazer um bebê ao mundo é mágico e maravilhoso, não importa a maneira que isso aconteça.

O parto é algo único e extremamente pessoal, cabe a cada mulher a decisão e suas consequências. O que mais ajuda nesse momento é apoio, diálogo, companheirismo e uma atitude positiva em relação ao que a gestante decidir. Meu momento foi inesquecível e não poderíamos ter tido pessoas melhores ao nosso lado, filha!

Você chegou cercada de carinho e cuidado e nossa vida a partir desse dia iria mudar pra muito melhor!


"Meu coração pulou
Você chegou, me deixou assim
Com os pés fora do chão
Pensei: que bom...
Parece, enfim acordei
Pra renovar meu ser
Faltava mesmo chegar você" (Tunai)

sábado, 21 de novembro de 2015

Como manter a sanidade no último trimestre da gravidez

Todo mundo adora as grávidas! É um período da vida em que as mulheres são seres sublimes gerando um milagre! Fato! Porém, na prática, passamos por situações nada sublimes, principalmente no último período, que pra mim foi o que mais se arrastou!

Não digo que foi difícil, pois estive bem o tempo todo e sem nenhuma complicação física que comprometesse a nossa saúde. Mas já estava no pico da ansiedade e ainda faltavam quase três meses ainda!! Já não estava dando aulas, cantava em alguns eventos, mas já estava diminuindo o ritmo, mas não tinha disposição pra muita coisa em casa! Estava muito inchada e ganhei peso absurdamente a partir desse período.


Tive alguns desejos, principalmente envolvendo morangos! Por isso sua vó Sandra desde antes de você nascer já te chamava de moranguinho! Mas fora isso, comia tudo que via pela frente!! Algo que se tiver uma próxima gravidez, com certeza vou tentar não repetir! Mas seu pai já saiu de madrugada pra buscar um sorvete chicabon num posto de gasolina, também foi procurar pamonha quase dez da noite e fez uma feijoada na semana que você nasceu! 



Ele sempre foi muito fofo com a gente! Mas o meu maior desejo mesmo era de ver o seu rostinho e segurar você no colo aqui fora!

Além do seu pai ter sido muito paciente e atencioso, a presença dos nossos amigos em casa foi fundamental pra nós três! Conversar, espairecer, falar sobre outros assuntos, comer pizza ou churrasco... nos ajudavam a amenizar a situação, além de nos ajudar com outras experiências, palavras de conforto e dicas de quem já tinha passado por isso,

Quando essas dicas vinham dos nossos amigos, era ótimo! Mas a questão, como eu disse no início é que todo mundo ama as grávidas! A grávida é um evento público!...rs Pessoas desconhecidas ou com quem não tinha a menor intimidade se sentiam no direito de contar coisas ruins que aconteceram com outras grávidas, opinar, tocar, questionar, muitas vezes de forma inconveniente e até agressiva!

No começo a gente é muito educada, dá uma risadinha amarela e desconsidera. Mas no último trimestre quando já estamos explodindo, literalmente, só precisamos de palavras de conforto e carinho e não de palpites e histórias terríveis pra nos assustar ainda mais.


Foi bom estar em casa nesse período, cercada de pessoas que só tinham amor pra dar, mas ainda assim a gente não escapa dessas coisas. De qualquer forma, apesar de muitas vezes sentir uma certa maldade, prefiro sempre pensar que as pessoas nos desejaram o bem e se foram inconvenientes, foi por querer ajudar. 

Marcamos o seu parto para  dia 01 de outubro de 2015, era uma quinta-feira! No domingo da mesma semana foi a feijoada! E a semana parece que durou trinta dias! Estava acabando, mas na verdade estava só começando o milagre que é você!

"É um milagre
Tudo que Deus criou
Pensando em você
Fez a via-láctea
Fez os dinossauros
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu!" (Djavan)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Seu Domingos, meu avô!

"Eu era pobre, como até hoje ainda sou. Mas quando nasceram os meus filhos eu virei o homem mais rico do mundo"

Foi assim que ele nos fez chorar quando contamos que você estava a caminho, filha! Seu Domingos e Dona Santa, meus avós, foram os primeiros a receber a notícia pessoalmente e ele foi o único a emocionar seu pai, que estava todo preocupado com as contas que iam aumentar!
Meu avô fez a gente chorar!


Suas palavras simples e sempre verdadeiras eram a marca de sua sabedoria e experiência. Mas acima de tudo de sua doçura e carinho com filhos, netos e bisnetos, mesmo os que ainda estavam por vir.

Quando eu e meu irmão éramos crianças ele foi mais do que um avô! Supriu a nossa ausência de pai assumindo os dois papéis, sempre presente, atencioso, carinhoso e firme! Sempre ao lado da sua Santinha, com um amor declarado e dividido há cinquenta anos, que transbordava como referência pra família e pra todos que tiveram a oportunidade de conhecê-los.



Infelizmente ele não pôde te conhecer, filha. Me lembro dele me dizendo isso, no meu sétimo mês de gravidez, quando o levávamos pro hospital: "Queria tanto conhecer minha bisneta!". E depois no hospital, mesmo bem abatido, exibia minha barriga com orgulho de pai-avô e dizia a meu respeito "ela é minha primeira neta!".

Hoje já são quatro meses sem ele. Por muito pouco ele não dividiu mais essa alegria com a sua Santinha, a de segurar você no colo com um amor que brotava dos seus olhos e nunca tinha fim. Há quatro meses ficamos todas órfãs do nosso paizão e mais uma vez ele fez a gente chorar.
Ele se foi sereno, sem sofrimento, no alto dos seus oitenta e cinco anos de exemplos de vida. O que nos consola, mas nos deixa ainda mais saudosos.



Ele é presente em tudo:
Nas expressões "acaipiradas" que a gente imitava, no macarrão de domingo que a gente não consegue mais fazer, no lugar na ponta da mesa, na feira de quarta, nas ferramentas, madeiras, latinhas, cachacinhas, no truco do churrasco, nas pescarias e histórias depois do jantar, pizzas no sábado à noite (sem milho), nos passarinhos, cachorros, no papagaio que ainda espera ele chegar, nas histórias de infância e no orgulho que ele sempre teve de todos nós, filhos e netos. Nos jogos do Palmeiras, paixão que ele deixou de lembrança, e nas tantas boas lembranças que a mamãe queria muito poder dividir com você.


Dona Santa te pegou no colo, trocou suas fraldas, te amou por dois, pois ele ficou em nós através dela. Seu Domingos infelizmente se foi antes disso, mas você sentiu. Você sentiu a minha tristeza da barriga, esteve comigo e com ele no hospital, nas visitas, na UTI e acompanhou a nossa tristeza na despedida, com toda a família e amigos que ele só acumulou durante a vida.

Você sentiu a nossa tristeza pequenininha na barriga, nunca em nenhuma ocasião eu te sentia mexer tanto e tão intensamente. Parecia querer nos confortar e dizer que ao levar um anjo de nossas vidas, estaríamos recebendo outro anjinho lindo que era você!


Ele nos ensinou a ter alegria nas coisas simples e firmeza de caráter, a colocar a família sempre em primeiro lugar e não ter preguiça nem vergonha do trabalho, qualquer que fosse. Ele era lindo, fofo, carequinha, magrinho mas com as mãos carinhosas mais pesadas que eu já conheci...rs Fazia a melhor pipoca do mundo e adorava pão com salsicha! E um ovinho frito, "bem fritinho não faz má..." dizia quando a gente implicava com o colesterol.

Poderia escrever um livro de lembranças, memórias e ensinamentos, mas esse é apenas um registro pra que você saiba que, apesar dessa tristeza no final da minha gravidez, você foi e é o anjinho que nos deu a alegria que a gente tanto precisava.

O que eu sou está impregnado da presença dele e vai passar pra você naturalmente, filha! Você vai conhecê-lo por mim e pelas boas e muitas histórias.

E vai ser palmeirense também, né?!

"Lampião de gás
Lampião de gás
Quanta saudade
Você me traz..." (Inezita Barroso)