sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Como lidar com as dificuldades na amamentação

Filha, como é gostoso amamentar! Sentir você se alimentando do meu leite, no meu peito, segurando minha mão que além do alimento te passa meu calor e segurança. Tenho o privilégio de poder fazer isso por você e sou muito grata por isso, mas não foi assim tão fácil desde o começo.


Amamentar não é apenas um ato de amor! É também uma escolha difícil, dolorosa e da qual muitas vezes as mães são privadas por pura falta de orientação e cuidado.

No nosso primeiro dia em casa tivemos bastante dificuldade em nos adaptar. No hospital aparentemente estava tudo certo, as enfermeiras olhavam você no meu peito e diziam: está pegando o peito, então está tudo bem! Mas você dormia bastante e, como no começo o bebê tem uma reserva e o leite ainda é o chamado "colostro", mais líquido, ficava difícil saber se estava saindo mesmo e se seria suficiente pra te alimentar.

No primeiro dia em casa já tivemos nossos problemas. Saímos num dia complicado e acabamos ficando na casa da vó Sol, ambiente estranho pra nós duas. O que precisávamos mesmo nesse dia era de tranquilidade para essa adaptação. Você chorava muito e estava insegura, faminta. Eu tentava te alimentar, mas não sabia te colocar direito no peito, você me arranhava, ficávamos as duas nervosas e todos em volta preocupados e, querendo o melhor, diziam que eu não tinha o leite e que estava deixando você com fome, como aconteceu com a minha mãe quando eu era bebê.

Acabei convencida de te dar uma fórmula na mamadeira, o que resolveu temporariamente a questão da sua fome, mas não conseguia aceitar que tinha seios enormes e que não produziam leite!


Assim que consegui, fui com você na pediatra e tivemos muita sorte! A Dra. Regina era de um grupo de apoio relacionado à amamentação e nos orientou muito bem, Me mostrou como apertar o mamilo para que o leite saísse, como poderia varia a sua posição no meu colo pra te dar mais conforto, disse que eu poderia te dar algumas gotinhas do leite de fórmula pra te acalmar pra que você não viesse tão nervosa pro meu seio e acabasse me machucando, me incentivou a tentar amamentar, pois eu tinha sim o leite necessário, mas também me deixou tranquila com as outras possibilidades, caso não desse certo, Senti nesse momento que era um escolha.

Confesso que no início foi uma opção difícil, A sensibilidade nos mamilos, o sono e o cansaço da madrugada e a dor da cirurgia são os desafios iniciais, fatores físicos que, somados aos psicológicos e às influências externas, podem desencorajar a amamentação.

Tive muito apoio do seu pai nesse sentido também. Ele ficava angustiado querendo poder fazer algo pra te ajudar a pegar o peito da forma correta, aliviar a minha dor e sempre deixar a meu critério caso não estivesse disposta, além das inúmeras garrafas de água que ele até hoje vai buscar na hora do seu leitinho!

Tive sorte também por não ter tido fissuras ou machucados no seio. Um cuidado essencial pra isso foi a pomadinha de lanolina que ganhei da minha amiga super gêmea, Fernanda. Outro aspecto muito positivo foi que, conforme seu apetite foi aumentando, pude intercalar as mamadas te oferecendo também a mamadeira.

Muitos bebês se acostumam com o bico da mamadeira e não pegam mais o peito depois disso, mas você se adaptou bem aos dois e nunca recusou nenhum deles até hoje!


Fico muito feliz por ter tido essas informações a tempo, o que não acontece com muitas mulheres e as impede de vivenciar essa experiência tão bonita e especial! Enquanto meu amor continuar enchendo meus seios, estarei aqui de peito aberto pra te acalentar e alimentar!

Muito carinho a todas as mães, que amamenta(ra)m ou não! A amamentação é maravilhosa, mas é um processo delicado e muitas vezes difícil e doloroso. Ajuda e palpites são ótimos, mas aí vai o meu: nada como a orientação profissional! E respeito às escolhas de cada família!

"Só é possível te amar
Ouve os sinos, amor
Só é possível te amar
Escorre aos litros, o amor" (Nando Reis)

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