sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Quem sou eu agora, depois de ser mãe?

Agora você já dorme uma noite inteira, filha! Já não depende só do meu peito pra se alimentar. Já consegue me reconhecer, mas também aceita o carinho do seu pai, avós, tios... E apesar de não ter ciúmes disso e nem me preocupar, pois sei que sempre vou ser sua mãe, começo a me perguntar novamente: quem sou eu?

Filha, eu faço tudo por você! Nosso amor só cresce a cada dia e quero poder te proporcionar a melhor vida, com os melhores valores e todo o carinho e cuidado. E por isso mesmo hoje tenho que ser um pouquinho "egoísta" e pensar em mim. Como ser um exemplo pra você, não só de mãe, mas de mulher. Como fazer você conhecer a mulher que eu sempre fui e que ficou adormecida pra que você pudesse nascer.


Estou voltando a trabalhar, mas meu corpo está diferente, minha voz demora um pouco pra me obedecer de novo como antes, minha disposição é grande, mas tenho muito mais afazeres pra dividir com o tempo de estudos, projetos e trabalhos. É impossível nesse momento não priorizar o seu choro, seu pediatra, suas vacinas, o aprendizado do dia a dia ao seu lado.

Mas sinto que preciso parar pra me observar como indivíduo e ajustar a sua rotina à minha, compartilhando nossas necessidades. Agora mesmo interrompo meu texto pra te acalmar...

Duas horas depois, depois de acalmar, amamentar, complementar com a mamadeira, acalentar, trocar e deixar você com o seu pai pra ele te fazer dormir... tenho uma crise de choro e volto pra tentar terminar o texto.

Meu choro é silencioso, sem pedir colo. Eu sou o porto seguro agora e não posso nunca mais deixar de ser. Hoje mesmo disse à minha mãe que ela tem esse direito sim, de ser mulher, de pensar no seu trabalho, se cuidar, de pedir ajuda quando não der conta... mas acho que começo a entender essa cobrança de sempre ter que dar conta de tudo.



Você ainda não dormiu, está resmungando, deve ser cólica... tenho músicas pra ensaiar amanhã e nem tive tempo de estudar direito. Passei pela cozinha e tive que escolher entre terminar o texto ou lavar a louça, o que é sempre a última opção...rs

Nunca gostei de fazer as coisas com pressa ou pela metade, mas é um momento em que essa cobrança pessoal e profissional só faz mal. É preciso ter calma e se dar esse tempo. A licença maternidade não é só pra cuidar de você, filha, é pra cuidar de ser mãe (e pai), que a gente ainda não sabe!

É possível se reinventar e se redescobrir, mas é um caminho mais lento pra muitas coisas, um exercício diário de paciência e companheirismo. Mas o que me move acima de tudo é o desejo de ser um dia pra você o que sua vó hoje é pra mim. Uma mãe maravilhosa, mas acima disso uma mulher que eu admiro e confio.

A cobrança talvez seja inevitável, mas acho que é possível ao menos não se culpar pelos momentos de individualismo, não se martirizar pela demora do corpo em voltar pro lugar, não deixar de planejar, mesmo que mentalmente, objetivos profissionais e dividir as tarefas para que sejam realmente tangíveis. Talvez a minha ansiedade esteja precipitando as coisas e com o tempo as coisas comecem a ficar mais tranquilas na minha cabeça.

A gente pode errar como mãe e não ser perfeita na visão do filho, mas é importante acima disso que a gente não se esqueça de quem é como pessoa, pra que além da vida que a gente quer proporcionar ao filho, a gente possa realmente compartilhar a nossa!

Vamos dormir que amanhã tem ensaio e você vai com a gente, filha!




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